Sempre achei complicado namorar alguém casado. No início, parece suficiente, mas passado algum tempo, e pouco tempo, diga-se de passagem, vem aquela sensação de “ausência constante”. E como lidar com isso por todo o tempo e toda a juventude (juventude é um estado de espírito) que você tem pela frente?
Pois bem, prestem atenção nessa história. Uma amiga que vamos chamá-la de Marina namora um homem casado e; saudosa que estava, decide mandar torpedos via web para o celular dele, pois sabia que ele estava no trabalho e isso não lhe causaria nenhum constrangimento (nesse tipo de relacionamento, toda ação tem que ser bem pensada e calculada para evitar dissabores maiores). Não se identifica pelo seu nome, mas usa uma linguagem bem peculiar, aquelas que os apaixonados desenvolvem entre si e muitas vezes, só por eles entendida. Após o segundo torpedo, ele liga para ela para saber “onde ela estava; se estava usando o computador...”. Observaram? Ele estava na dúvida se era ela quem estava mandando os torpedos. Ao perceber a reação, Marina questiona se ele recebe tantas mensagens desse tipo que seja possível confundir o remetente. A resposta que ouviu foi de matar: “Só posso fazer as coisas na certeza, sem contradição”. E continuou, argumentando que ela sabia quais eram os motivos e a quem ele estava se referindo, provavelmente falando da esposa. Nem quis saber se era de outras amantes. Melhor não entrar em detalhes.
Como assim, sem contradição? E as histórias são tão iguais assim que seja possível ser confundida? Que mulher em sã consciência gostaria de saber que o seu companheiro não é capaz de identifica – lá por uma forma carinhosa de tratar, um verso ou uma música que ela acreditava ser só deles? E como administrar a dor de saber que tudo que ele vive com ela é tão igual ao que ele vive com outra/outras? Aonde é que ficou a magia de cada ser e de cada relação neste mundo tão igual para esse cidadão?
Uma mulher apaixonada reconhece seu homem até por uma palavra solta. Pode ser um simples “alô” dito em qualquer tom, seja ele cansado, estressado ou amigável. Reconhece pelo cheiro, pelo toque, pelo soar de uma boa gargalhada. Sabe olhar no olho e compreender tudo no mais absoluto silêncio.
Ele não entregou os pontos e disse que ela queria demais. Na minha modesta opinião, acho que ela está se conformando com muito pouco para “quem quer demais”. Nesse exato momento, faço um pedido baixinho. Torço para que Marina não acredite nisso. Ela não quer demais. Ela quer apenas a cumplicidade única que se forma entre os que se amam verdadeiramente.
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